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Medo de faltar o básico: ansiedade, excesso de esforço e a dificuldade de se sentir seguro

  • Foto do escritor: Ed Pazinato
    Ed Pazinato
  • 14 de abr.
  • 3 min de leitura

Para muitas pessoas, morar fora do país está diretamente ligado à busca por estabilidade.

Ter uma vida mais segura, conseguir se organizar financeiramente, conquistar coisas que talvez fossem mais difíceis no Brasil.

E, de fato, muita gente consegue.

Consegue trabalhar, pagar contas, guardar dinheiro, construir uma rotina.

Mas, mesmo assim, existe um sentimento que não vai embora.

O medo de faltar.


Quando o medo continua, mesmo depois de conquistar

Esse medo nem sempre aparece de forma clara.

Ele pode estar nas pequenas decisões do dia a dia.

Na dificuldade de descansar, na sensação de que é preciso estar sempre produzindo, sempre fazendo mais.

Mesmo quando a vida está estável, existe uma inquietação interna.

Como se tudo aquilo que foi construído pudesse, de alguma forma, se perder.


O esforço constante como forma de proteção

Para lidar com esse medo, muitas pessoas entram em um ritmo de esforço contínuo.

Trabalham mais do que o necessário, evitam pausas, mantêm a mente sempre ocupada.

Existe uma lógica interna que diz:“se eu continuar me esforçando, nada vai faltar”.

E, por um tempo, isso pode até trazer uma sensação de controle.

Mas, aos poucos, o descanso deixa de ser tranquilo.

O tempo livre pode gerar culpa.E a sensação de estar sempre “em alerta” começa a fazer parte da rotina.


O medo de perder o que já foi conquistado

Para quem construiu a vida com muito esforço — muitas vezes começando do zero em outro país — perder o que foi conquistado pode parecer algo muito ameaçador.

Não é apenas uma questão financeira.

É também emocional.

Existe ali toda a história, as dificuldades enfrentadas, as renúncias feitas.

E isso faz com que qualquer possibilidade de perda seja sentida com intensidade.


Ansiedade em relação ao futuro

Com o tempo, o pensamento começa a se projetar constantemente para frente.

“E se algo der errado?”“E se eu perder o emprego?”“E se eu não conseguir me manter?”

Mesmo quando o presente está organizado, a mente continua tentando antecipar problemas.

E isso gera ansiedade.

Uma sensação de que é preciso estar sempre preparado para o pior.


A dificuldade de se sentir seguro

Um dos aspectos mais delicados dessa experiência é que a sensação de segurança não acompanha, necessariamente, a realidade.

A pessoa pode estar estável, estruturada, com uma vida organizada — mas ainda assim não se sente segura.

Como se faltasse uma base interna.

Como se, a qualquer momento, algo pudesse sair do controle.


O impacto no corpo e na rotina

Esse estado constante de preocupação não fica apenas nos pensamentos.

Ele aparece no corpo e no dia a dia.

Podem surgir sinais como:

  • cansaço frequente

  • dificuldade de relaxar

  • tensão constante

  • irritabilidade

  • ansiedade

Mesmo em momentos que deveriam ser de descanso, a mente continua ativa.

E o corpo acompanha esse ritmo.


Como a psicoterapia pode ajudar

A psicoterapia pode ser um espaço importante para compreender esse medo com mais profundidade.

Não se trata apenas de “parar de se preocupar”, mas de entender de onde vem essa sensação de insegurança.

Muitas vezes, esse medo está ligado a experiências passadas, a momentos em que realmente faltou, ou à necessidade de ter controle para se sentir protegido.

Durante o processo terapêutico, é possível:

  • compreender melhor essa relação com o esforço e o controle

  • diferenciar risco real de medo interno

  • construir uma sensação de segurança mais estável

  • reduzir a ansiedade em relação ao futuro

  • aprender a descansar sem culpa

Mais do que eliminar o medo, a terapia ajuda a pessoa a não viver dominada por ele.


Construindo uma segurança mais interna

Ter estabilidade financeira é importante.

Mas a sensação de segurança não vem apenas do que é externo.

Ela também precisa ser construída internamente.

Sentir que, mesmo diante de dificuldades, existe uma base emocional que sustenta.

Que nem tudo depende de estar sempre em alerta.

E que é possível viver com mais tranquilidade, mesmo sem controlar tudo.


Cuidar da saúde emocional no dia a dia

O medo de faltar o básico pode levar a uma vida de esforço constante.

Mas viver apenas nesse estado de preocupação tem um custo emocional alto.

Reconhecer esse padrão é um passo importante.

Buscar equilíbrio, permitir pausas e olhar para a própria experiência com mais cuidado pode fazer diferença.

Você não precisa viver o tempo todo com medo do futuro.


Ed Pazinato – Psicólogo

Atendimento psicológico online para brasileiros que vivem no exterior.


Referências e fontes

Sigmund FreudInibição, Sintoma e Angústia

Donald WinnicottO ambiente e os processos de maturação

Organização Mundial da SaúdeMental health and psychosocial support

 
 
 

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